quinta-feira, dezembro 29, 2011

Sobre Fausto

Estava pesquisando sobre o Fausto de 2005/06, ou seja, aquele mesmo de antes desse blog ser criado. Tenho alguns textos dele e estou tentando lembrar quem ele era.

Lendo a resenha que ele fez do seu próprio disco em 2005, não posso deixar de ficar admirado com o fato de ele não ter sido, em momento algum, devidamente internado. Segue a dita cuja:

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O NOVO MARCO DIVISÓRIO DO CALENDÁRIO OCIDENTAL (mesma voz do locutor que diz: “Dia 11 de setembro, não marque nada. Salvador vai explodir. Reino do Arrocha”).


2005 poderia ser mais um aninho chumbenga, sem grandes novidades, um vestibular aqui, uma decepção acolá, mas a conjunção dos astros trouxe a Terra, ou melhor, a este terráqueo que vos fala (vos? Né nem te!) a inspiração máxima. Não foi apenas a fantástica releitura de sucessos como “Passarinho da Paz” e “A Verdade Sobre Hylo”, mas sim a maior obra já produzida pela cultura ocidental do Ocidente (aquela que não é a do Oriente). Refiro-me ao “Experimenta” e ao “Guitarra Dadaísta”. Não é somente um álbum duplo de dois nomes, tampouco é somente um álbum duplo com dois trabalhos. É mais do que uma flor dos trópicos banhada em orvalhos celestiais (lembrei agora daqueles incríveis versos de Lobão do primeiro ano que eu deveria ter musicado). Não vou dizer que só havia trevas, mas a luz que havia e que antes parecia forte foi engolida por outra nunca vista antes. Ficou provado que não se precisa de Fenders e Marshalls e tampouco escalopas na guitarra, mas apenas de uma Eagle Stratocaster enferrujada, um cube 60 Wattsom e um pouco de faustosidade. Nas universidades de música passou a ser ensinado que para ser um novo Fausto, não precisava aprender modos gregos, harmonias etc. e sim, apenas, compor e tocar como Fausto.


O que é a ópera Efeitolândia se não a conjunção perfeita dos sons universais deste e de qualquer universo? Não é uma mera síntese da cultura negra e branca numa explosão de cores e de alegria, como disse sabiamente o meu amigo Caetano Veloso sobre “Passarinho da Paz”. Efeitolândia é toda a resposta para qualquer pergunta. É a teoria do tudo. É a síntese da existência. Quem diz que não, é besta (alguém já disse essa frase. E com o Português “culto”). Já dizia eu: “Meu som é a liberdade sonifiquiçada em forma de som!”. Meu som é a contradição. Meu som não são minhas palavras e o são. Meu som é bosta. Meu som é porreta! Meu som é carreta! Meu som é tudo. Meu som não é nada. Meu som é nada. Meu som sequer é ou foi. Meu som está? Meu som é você. Meu som é perneta. Que artista alcançou essa concepção? Digo logo que eu não fui, para assim poder alcançá-la. Meu som não é nada disso, mas também não é nada daquilo, muito pelo contrário até. Sorvete de chocolate? Com calda ainda? Compre outro! Qualquer um. Rio (verbo?), mas não quero ser Sylvia Saint.


Foi no mês de junho o rascunho, foi no mês de agosto o esboço e veio a mim em setembro o grande rebento. Estava pronto, estava vil e quem não viu, estava tonto. Ou então o é. Férias estimulam o ócio criativo (Quem foi o asno que disse isso? Grande asno!). Minha mente estava enfim limpa para ser preenchida pela glória. E qual não foi minha surpresa quando ordenei a Maomé que atravessasse o Farol Vermelho? Sim, fui sapeca! Meses de intenso êxtase, num vai-e-vem de idéias e sais minerais. Me diverti? Sim, não nego. Era um dever? Não, admito que não. Oh pobre cultura judaico-cristã-ocidental! Sempre imersa na idéia de que toda redenção exige o calvário (Como se essa fosse a pior. Quem dera!). Todos esses vestígios provam a mixuricidade do Iluminismo. É por isso que o calendário agora passou a ter sua ênfase na música (afinal, não é uma mera obra de arte, música é apelido). Alguns o dividindo entre antes e depois de “Efeitolândia” e outros usam como marco o “Guitarra Dadaísta” inteiro mesmo. Sou Destruidor. Matei Donatelo e toda sua corja! Mostrei a todos de onde vieram (Donatelo não!). O rei está nu. Eu sou o rei. Eu estou nu? Não. Não. Não. Pedro negou Jesus três vezes segundo os matemáticos da época. Dá pra confiar nessa gente? Naquela época o ensino público era meio fraquim.


Beethoven era genial, Dream Theater, legal e Tayrone Cigano tocava um ritmo gostoso que ia te conquistar, mas eu tenho o que nenhum deles tem. Não falo da Digitech RP200. Grandes coisa... Só digo que achei. Achei tudo aquilo que ninguém perdeu! Deve-se concluir que eu sou o gênio da música? “Só uma anta concluiria tal antisse, sem querer ofender a pobre da anta.” (Clóvis – o criador das melhores frases que já anotei. E são muitas).


Texto escrito em 25-26/02/2006.


sábado, agosto 23, 2008

Curta: Malmsteen cachaceiro...

Cena 1 = Malmsteen sorrateiramente tomando uma...



Cena 2 = Olha a cara de satisfeio dele. Tá exagerando o descarado...



Cena Final = Toma safado!




FIM

Curta: Gordo Ridículo nos jogos olímpicos...

Episódio também conhecido como: Fhelp, Mycu...











Jogo dos 2 (Dois) Erros

Olá, navegantes de lo mundo da conectividad burguesa

Aqui mais um fantástico jogo dos dois erros. Descubra-os:




...






Notou a crítica à globalização?

Voltando com texto antigo chato!!!

Uhú!

Vale a pena recomeçar postando aqui um texto meio bem pós-moderno de outubro de 2006 (um pouco depois de eu ter escrito a "foto-novela"):

Breves Inquietações Filosóficas


Uma delas é “O que é Filosofia?” Conjunto de conhecimentos, conceitos, não sei, metodicamente adquiridos que guardam uma relação sistemática entre si. Pretende investigar as raízes do conhecimento humano, questionando tudo e blá blá... Ora, se eu não me engano, eram os pragmáticos – pertencentes a um ramo respeitado e influente - que diziam que filosofia era qualquer conversa aí. Não entendo quando insistem em achar que uma outra definição para filosofia, além da primeiramente citada, é errada. Sabe o que eu acho? (“Filosofia não é ‘achismo’ dizem os ‘portadores da definição racional de filosofia’”) Não dá pra definir filosofia. Não dá pra criar uma rígida barreira entre filosofia, ciência e conhecimento vulgar. Não é a toa que em diferentes períodos da humanidade essas coisas aí se misturaram todas (as três, ou duas delas, depende...). “Ah, mas agora evoluímos!” Tudo bem, você vai querer provar racionalmente e tal essa sua afirmação, mas, admitamos, a evolução da humanidade está longe de ser um consenso. Sequer a existência disso que chamamos de evolução é algo facilmente aceitável. Hoje, dizem que sabemos separar as coisas e que os resultados só comprovam a evolução e tal. Porém, não posso deixar de perceber o quanto isso pode ser perigoso. Lembra daquela máxima famosíssima de Goebbels? A formação de dogmas é um perigo para a filosofia. Qual a característica mais marcante da atitude filosófica? Não é a sua investigação radical e fundamentada das coisas? O que é a Filosofia? Pode-se elaborar hipóteses (não sou fã fã "fãzão" de Popper não), mas tomemos muito cuidado com a petrificação delas. Resumo da ópera: Eu estou certo ao afirmar que a certeza é incerta.


Não quero me prolongar no assunto “definição de filosofia”. Não é essa minha preocupação principal hoje, aliás, é bem secundária, mas como tem a ver com o que escreverei me empolguei um pouco. O que pretendo, de fato, é ter uma atitude filosófica em relação à minha atitude filosófica, passando pela questão da evolução. A origem foi esta pergunta:


a) Eu sofri uma evolução? Em relação aos meus quinze anos, sei lá, pode-se perguntar até em relação ao meu nascimento.


É uma discussão que tem relação, inclusive, com o multiculturalismo, que vem ganhando força desde os grandes estudos antropológicos e sociológicos feitos ultimamente. Costumamos aceitar, a priori, que aprender a amarrar os cadarços é sinal de evolução. “Olha lá, ta aprendendo hein!” Ou mesmo, resolver problemas matemáticos. Porém, o que eu percebo é que isso só faz sentido se determinarmos uma meta, um significado para o problema da existência. E isso tem a ver com minha segunda indagação. Ainda que eu não tenha respondido (e nem pretendo) a primeira, aí vai:


b) Não podemos suportar um mundo sem valores.


Percebe-se que minha segunda indagação trata-se de uma afirmação. Ora, o que é um mundo sem valores? Talvez um mundo sem seres racionais. Isso significa que a razão é a única fonte de valores? Isso advém da discussão acerca da separação entre razão e emoção. Bem, se as emoções não são geradas pela razão não sei mais de onde elas surgem. O que é um homem sem razão? Um poço de “inanimação”. Talvez a razão seja uma criação humana e algo bem subjetivo. Seria uma tentativa do homem de dar sentido à sua vida. E essa indagação não é nova. Fala-se do instinto de sobrevivência. Seria algo como um imperativo categórico meio que sem razão. Alguém pode me taxar de demônio e dizer que é bem mais fácil destruir que construir. Tudo bem, mas o que seriam os Tartarugas Ninjas se não fosse o Destruidor? De onde surgem os instintos? Lugar algum? São entes autônomos do ser? Uma fascinante e inexplicável lei interna? Não vejo ninguém especulando que eles possam derivar da razão. Talvez pra negar aos animais, ditos irracionais, o direito à razão... Se eu propuser diferentes estágios de razão vão afirmar que minha transformação se restringe ao aspecto lingüístico. Um novo significado para a expressão “razão”. É. Talvez eu ache que os animais não passam de bestas inferiores (o que chamam de pensamento normal). Vou ser sincero, certamente não dá pra compreender minha posição, mas que ninguém se aflija. Eu fracassei ao tentar seguir a ordem de Sócrates. A do “conhece-te a ti mesmo.” Bem, mas pra que saber se a razão é ou não fonte de qualquer valor? O que eu estou dizendo é bem óbvio. O mundo sem a razão é uma porcaria inútil. Não é a toa que ela existe... O que tento dizer é que só “”“”“existem””””” duas coisas: a coisa e a não-coisa. Também conhecidas como bom e ruim. “E os conhecimentos objetivos?” Ora, ora, sem valoração seriam inúteis. Além disso, que é que você chama de conhecimento objetivo? Ciência e tal né? Deixa pra lá. Talvez as emoções tenham sua origem nos instintos. Talvez a emoção seja outro ente autônomo misterioso. Razão, valor... Está tudo ligado. Como escolher os valores é outra história. Só sei que essa separação entre razão e instinto me parece algo bem superficial. Deviam pelo menos flexibilizar as coisas. A raça humana não vai desaparecer com isso... Criem uma linha maleável entre os animais. Essa parede que há é um exagero, talvez sirva pra justificar a dominação e só. E a verdade objetiva? É algo inútil? Sozinha, sim. O objeto puro, sem ser contaminado pela razão, é algo apenas “””””existente”””””. Aí você pensa na perfeição. Algo que só existe dentro do indivíduo, visto que a união de perfeitos, sem concessões e tal, é um consenso impossível. Você pensa e conclui: “Que chato esse mundo perfeito! Sem desafios.” Ora, que paradoxo! A perfeição é perfeita, não pode ser chata. Acontece que o perfeito não existe (Quem sabe na morte, talvez, sei lá, não quero me aventurar nessas coisas místicas...). Na perfeição não há espaço para o ruim. Enfim, perfeição é colapso. Ainda bem que escrevo um monte de imperfeições (vai ver isso de que o perfeito não existe é uma delas...). Confesso que eu acho o Premiata Forneria Marconi uma perfeição de progressivo. Talvez daí meu fascínio pela música. De vez em quando ela me faz achar que estou errado, como ela é uma das poucas que faz isso, gosto de estar ao lado dela... Dizem que a tolice de uma pessoa se mede pelo tanto de certeza das coisas que ela tem. Não sou adeptos de máximas pra decorar e tal, mas essa faz muito sentido pra mim. Embora eu não saiba o que é exatamente tolice, me sinto bem tolo às vezes. Toda vez que escrevo por sinal. Isto aqui não é tão diferente do “vômito de certezas”, o qual eu tanto critico. Resumindo, o mundo é dicotomia. E razão e linguagem estão mais ligados do que se pensa. O que dá sentido as coisas, de verdade mesmo, é a razão.


E qual o sentido da razão? Dar um sentido ao homem? Talvez seja algo mais. Ela é talvez a forma mais eficiente de perpetuar a existência. O grande objetivo de todos talvez seja passar à frente a possibilidade de existir. Por quê? Religião? Costume incontestável? Especulemos. Ou talvez a razão seja só curiosidade mesmo. Outro fascinante imperativo categórico... Mudança de rotina? Bem, se fosse, haveria um motivo forte pra se manter o novo hábito depois. Não explica. Talvez exista o “melhor não-subjetivo” e a razão seja o instrumento para apreendê-lo. Caso não exista, confesso que ainda não sei o porquê do homem se preocupar com o futuro da humanidade. Tenho especulações apenas. Não explicam satisfatoriamente a necessidade da razão. A melhor e menos ambiciosa tese é mesmo a de que a razão é um novo estágio (“não-hierarquizadamente” falando) da atitude humana frente aos objetos. Ok. Ela cria os valores, mas também sofre a influência deles. Os valores movem a razão. Se não houvesse valores, pra que razão? Quem nasceu primeiro? Não sei quando nasceu nenhum dos dois... Eu ainda escrevo porque não sou escravo da dúvida embora goste dela como se deva gostar (eu determino).


A razão serve aos instintos? O de sobrevivência e tal? Talvez. Como já pensei, é complicada essa separação da essência humana (razão, emoção, instinto...). Serve ilusoriamente? Talvez... Só sei que um mundo sem valores [e razão e valor só não se confundem devido à possibilidade de se argumentar que a primeira pode ser movida pelo subjetivismo, mas não construi (pedantismo à flor da pele. A propósito... Cala a boca Word!) apenas conhecimentos essencialmente subjetivos] é antinatural (por mais que eu odeie esse termo)... A não ser que o conceito de valor seja mais relativo do que eu imagino, mais aí já se instaura um caos gnosiológico (texto filosófico que se preze deve conter esse termo... E até mesmo os que não se prezam devem conter...)


E falando de valores, não há nada mais valorativo que a expressão “evolução”. Ora, evoluir é, consagradamente, melhorar, sair de um estágio inferior para outro superior. Alguns dirão que Zezinho evoluiu porque aprendeu a pentear o cabelo ou amarrar os cadarços. Outros apontarão outros motivos, tais como: noção de responsabilidade (pagar as contas, ajudar a família, desenvolver a coletividade...), melhor interação social, etc. Por que eu perguntei se sofri evolução? Ora, lembro que há anos atrás eu achava que sabia tudo de mim, que o mundo era cheio de verdades, que a ciência era deus e que Deus era deus. Pra mim não fazia sentido questionar certas coisas. Enfim, deu pra entender o que eu especulo que seja evolução. Observando as pessoas, tenho notado que quase todas acreditam nessa “mágica natural da vida”. Outro dia, me peguei tendo certeza de que minha mudança de atitude perante o tudo era indiscutivelmente um avanço. Foi aí que comecei a pensar sobre evolução de forma meio que obsessiva para os meus padrões. Se eu ainda fosse a pessoa de anos atrás, não me questionaria a respeito do estágio. O “Eu” de 2000 e pouco teria certeza de que o “Eu” do século passado era um “desevoluído”. Daí surge quase um paradoxo. A evolução está em não admitir, a priori, que evoluiu? Creio que sim. Pelo menos, se eu concluir que estou num estágio superior atualmente terá sido após alguma reflexão (mesmo sendo da qualidade “minha reflexão”...). Creio que é necessário contestar até a existência da evolução. Mas isso tudo e todas as conclusões finais estão longe de ser para agora.


c) indagações avulsas e desordenadas:


Ontologia: o ser humano é, sobretudo, um confuseiro. Um problemático. Essa é a essência! Tem a ver com o que eu escrevi a respeito de um mundo sem valores e/ou um mundo perfeito. Melhor... Pior... Gera problema. Não tem jeito... Interessante como axiologia, epistemologia, ontologia e outros ramos estão sempre ligados. Sai de um chega ao outro. É tudo filosofia. Essas subdivisões são desnecessárias. Serve para as pessoas se gabarem de saberem o que significa cada uma. Aliás, viver é isso né? Ir complicando tudo e tal (“Matem este burro subversivo que escreve! Vá estudar!”)... A partir do sujeito, pode-se entender todo o resto. Não lembro o porquê de eu afirmar isso, mas anotei em algum lugar. Certamente, tem relação com o fato de sermos os construtores dos valores, que é nada mais nada menos que tudo que importa afinal.

Ah, eu falava sobre dúvida. Existe uma expressão mágica no cenário lingüístico nacional criada para dar limites à investigação radical própria da atitude filosófica. Ela se chama "forçar a barra". É o velho "Ah! Mais aí você está forçando a barra. Não tem lógica". Basta algum pensamento mais ousado, que subverta a normalidade, para alguém dizer que "nego ta forçando a barra!" Ok. É um direito do cidadão, mas proponho que saíamos do papel de portadores incontestáveis da normalidade conceitual e argumentativa. Não se deve temer a dúvida.


Bem, por hoje chega de manifesto ismoísta paraguaio.


PS:. Só odeio uma coisa neste mundo: o ente abstrato tempo.


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terça-feira, julho 17, 2007

Título? Das Penas..

Oi blog, lembrei que você existe. Na verdade, minha existência me lembrou, indiretamente, que você existe. Vim aqui, mas estou sem tempo. Como o tempo - principalmente este tempo desta frase - é relativo, neste mesmo momento tenho todo o tempo do mundo... Tanto, tanto, tanto tempo, que tenho que distraí-lo em nome de outro tempo - um terceiro tempo. Este terceiro, ao contrário do segundo e tendo muito a ver com o primeiro (é bem verdade), dá-me o atrativo de parecer mais livre. Uma ilusão da liberdade que, talvez, nunca terei. Liberdade... Poder fazer, livremente, o que melhor sei.. Poder me livrar de toda e qualquer angústia. Ok, eu sei que é uma ilusão. Tá na cara que eu não estou livre aqui. Não sou tão burro. E por que continuo a escrever? Será mesmo que os meus dedos estão aqui se movimentando involuntariamente? Até que ponto se estende minha liberdade? Será que meus dedos estão loucos? Será que eu sou um idiota? Será que eu sou alguma coisa? Não sei se eu existo, mas sei que algo existe. Ninguém há de me convencer nunca do contrário. Eu "vejo/sinto/penso/qualquer-coisa-assim" meus dedos se prolongando, transformando (ele e tudo ao seu redor), invertendo a lógica das coisas por um momento e trazendo o sono que eu sinto agora.. E a vontade de que este "estado metabólico" traga a eterna realidade que o outro "estado metabólico" só consegue dizer que não existe. Veja só... Não é isto o que chamamos de mundo? Um esquisito conflito de realidades diferentes em um mesmo sujeito-observador-normal - E, miseravelmente, este sempre sabe qual existe.

No mais, boa noite, blog, pois eu vou dormir e depois acordar - mesmo eu nunca entendendo nada quando o segundo acontece. Mas é o jeito.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

terça-feira, setembro 12, 2006

PARÁGRAFO ÚNICO: Leitura obrigatória


IMPORTANTE!!!!!

ANTES DE QUALQUER COISA, LEIA:

O CONSELHO PARA OS DESOCUPADOS QUE ESTÃO AQUI É O SEGUINTE: NÃO VEJA AS FOTOS DOS CAPÍTULOS ANTES DE LER O TEXTO DE CADA FOTO! CASO O CONTRÁRIO, VOCÊ SACA O FINAL E O CONTEÚDO SURPREENDENTE DA TRAMA ANTES DA HORA E A FOTO-NOVELA PERDE 50% DO SEU GOSTO.

RESUMO DA ÓPERA: NÃO VÁ BAIXANDO A PÁGINA E VENDO A SEQÜÊNCIA DE FOTOS ANTES DE LER OS TEXTOS RELACIONADOS A CADA FOTO!


AHOLA!


OBS: Postagem nova agora só em OUTUBRO! A cota de setembro foi esgotada com a trama.

sexta-feira, setembro 08, 2006


Aqui começa uma interessante foto-novela de Natal. De longe a pior coisa que já se fez nesse ramo, mas ainda assim é linda. Tudo começou na ceia de natal de lá de casa no ano de 2004 (eu acho).

Episódio I: Um dos guerreiros chega em seu meio de locomoção e já sabe da difícil tarefa que terá de encarar...

EPISÓDIO II


Episódio II: No olho do guerreiro transparece uma falsa inocência que tem por objetivo lubridiar o inimigo.

quinta-feira, setembro 07, 2006

EPISÓDIO III


Episódio III: O segundo guerreiro está também a caminho. Porém, não se sabe ao certo se ele corre estranho ou apenas fazia pose. Nota-se facilmente que ele traz o livro "Em Liberdade" de Silviano Santiago o que provavelmente tem muito a ver com sua missão. O brilho em seu olhar demonstra que ele esperava ansiosamente pelo momento que está por vir. Relacionando-se o livro com o estranho movimento pode-se especular um desejo íntimo de voar. Afinal, que coisa representaria melhor a liberdade? Bem, mas antes de qualquer coisa, o que é a liberdade?

A liberdade para John Locke (não o de Lost) consiste num poder que o homem tem de obrar ou de não obrar conforme o que lhe inspira a sua razão. O filósofo associa liberdade e propriedade, já Rousseau, liberdade e igualdade. Para Locke, a liberdade é consciência duma particularidade, para Rousseau é em primeiro lugar solidariedade. Ainda segundo Locke, a liberdade é um bem que protegemos, já Rousseau pensa que é uma possibilidade que realizamos. Em Kant a liberdade é a liberdade de agir segundo as leis. "Assim, uma vontade livre e uma vontade subordinada as leis morais são uma e a mesma coisa." Por sua vez, o filósofo francês Montesquieu acredita que a liberdade consiste essencialmente na segurança. Um pouco diferente é a concepção de Marx e Engels. Eles conseguem superar dialeticamente a antítese entre liberdade e necessidade. Para os filósofos, a liberdade é caracterizada como consciência da necessidade, assim como a conceituou Spinoza, e histórica como a caracterizou Hegel, só que a consciência, para Marx e Engels “é o processo da vida real”. A liberdade seria, por conseguinte, a consciência histórica da necessidade. Por último, o pensador Falcão (não o pseudo do Rappa) afirma, e é o que me parece mais correto, que "Liberdade é voar com gaiola e tudo." Aliás, prestem bem atenção em tudo que diz Falcão, o cara é um sábio.

Conclui-se então que o segundo guerreiro esconde um tenebroso segredo em sua alma. Certamente guarda vestígios nebulosos do passado.

EPISÓDIO IV


Eu deveria avisar isto antes mesmo de aprender a escrever, ainda que parecesse paradoxal, mas vou esquecendo, esquecendo... Mas agora lembrei: não tenho qualquer compromisso com a norma culta ou técnicas consagradas de elaboração de textos! E juro que não me orgulho disso. Mas vamos ao que interessa...

Episódio IV: Que mistura de ódio e brilho é essa que se vê no olho do segundo guerreiro? Analisando outros aspectos desse olhar (ou melhor, desse olho) pode-se também invocar as sábias palavras do pensador Nilo Bob que um dia cantou: "Que olho é esse? Tua mãe não te fez assim". Mas aí talvez seja viagem só minha - autor deste texto - e não do coitado do segundo guerreiro. Por enquanto, apliquemos para este caso o famoso brocardo in dubio pro reo. Limitar-nos-emos a uma metafísica do olhar em questão. O que ele é? O que se esconde por trás dele? Percebe-se talvez um traço de loucura que tem sua origem num passado de muito ódio. É isso que passa esse revelador olhar! Mas o que é a loucura?

Momento (exageradamente?) personalista do texto: segundo o pensamento de John Locke (o de Lost), um louco jamais acha que está enlouquecendo e sim tem certeza de que está tudo "normal" com ele. Durante outro interessante diálogo na série Lost, o personagem Boone pergunta a Locke como pode ele citar Nietzsche ao mesmo tempo que faz aquelas coisas todas (ou algo assim... bem, o importante é que ele diz que Locke cita Nietzsche, citação que se eu lembro bem, não aconteceu durante a série para o telespectador). Eis então que encontro mais uma ligação Locke-Nietzsche ao lembrar, no V Congresso de Direito Constitucional (Lênio Streck deu show) da famosa frase do filósofo alemão: "Não são as dúvidas e sim a certeza que enlouquece" [Ipsis litteris? (Só pra não dizerem por aí que minha aula de latim é inútil e/ou que viajo nela)]. Bem, depois de tantas interrupções pode ser que ninguém lembre mais que eu acabei de comprovar como é considerável a relação Locke-Nietzsche no seriado. Se isso significa alguma coisa importante para a trama ou se é apenas uma forma de citar filósofos durante a série sem ter lá muito significado (vai ver os caras querem só tirar onda de filósofo. E eu afirmo: Isso é podre! Daqui a pouco criam até um blog pseudo-intelectual natimorto) eu ainda não sei. De qualquer forma, garanto que estarei pensando em teorias que revelem o final usando a pista (alguma relação entre o pensamento de Nietzsche e do filósofo Locke, afinal, a resposta para tudo pode estar numa intersecção entre os dois pensamentos). E o que eu ganho descobrindo algo relacionado ao desfecho da trama lostiana (ou mesmo o próprio)?

Essa pergunta revela o estado, no mínimo, discutível do pensamento predominante em tempos de pós-tudo. Eu que sou quase fã de Richard Dawkins tenho que admitir minha suspeita de que ele tenha grande parcela de culpa na consolidação do pragmatismo (ou utilitarismo, tanto faz, são parentes muitíssimos próximos) como doutrina dominante, ainda que muitas vezes inconscientemente, na maioria das mentes. (Não. Não estou lançando uma teoria. Muito menos anseio elaborar "ciência". Pra você ter uma idéia: sou tão cretino que admiro o Feyerabend e o Boaventura. Não que eu os conheça satisfatoriamente bem, mas os tenho como pessoas legais, digamos assim). Tenho "ciência" de que o pragmatismo não é o demônio irracional que prega que tudo que não tem aplicação prática e não garante a sobrevivência é completamente inútil (talvez, lááááááááááá no fundo...). Seria amadorismo demais até para mim. Sabia que eu nem tenho nada contra ele? É bem possível que ele esteja correto e que somente seus critérios que sempre vão variar de acordo com a pessoa estejam errados, ou seja, que façam um tremendo mau uso dele. Aliás, sou quase um pragmático. Não quero entrar em maiores delongas por já ser suficientemente delongueiro. Delongueiro o bastante pra incomodar a mim mesmo. Concordo com a pergunta "o que é que eu quero mesmo afinal então?". Ora, revelar que a sociedade está falida, que seus valores são medonhos, que os meus é que são legais e ainda pretender que chamem isso de uma revolução axiológica. Enfim, nada que todo mundo já não tivesse dito umas dez mil vezes desde que Sócrates, Platão e Aristóteles começaram a tirar onda de espertos. Sócrates até se deu muito mal com isso coitado. Se algum dia eu for filósofo, daqueles de verdade e tudo (sei lá porque eu me interessaria, só uma suposição idiota mesmo), devo me lembrar de nunca reclamar do meu trabalho, difícil era lá na época de Péricles ou sei lá quem. Enfim, após pensar mais um pouco (todo mundo faz isso) vejo que o pragmatismo está condenado a servir a interesses espúrios. Não adianta. Qualquer disposição em contrário me parece ingênua. Percebo também que ele existe apenas se atrelado a outras concepções filosóficas muito anteriores. Queria poder desenvolver essas minhas afirmações, mas suspeito de que o tempo exista, embora todo mundo ache muito bonito não saber defini-lo (e falando assim eu pareço um adepto do pragmatismo). Não porque eu tenha o intuito de convencer alguém de alguma coisa (por sinal, isso é teoria de pragmático metido a espertinho, que gosta de trabalhar com psicologia e se diz entendedor de Lacan), mas porque tenho certeza de que não me lembrarei dos pensamentos que sustentam tudo isso (quando eu digo que sou meio pragmático ninguém acredita, ó aí!). Sim, admito que sou um desmemoriado ou mesmo pessoa com dificuldades de aprendizado que se possa aplicar de forma eficiente ou mesmo burra, vai da definição de cada um para o meu problema, e isso é uma delícia pra maioria das pessoas. Digo porque também gosto de investigações. Bem, concluo, após praticamente nada argumentar, que o pragmatismo está comprometidamente incompleto (peguei leve hein!) e que algumas coisas poderiam aproximá-lo disso que chamamos de verdade. O que é a verdade? Talvez se possa dizer que a verdade é toda e/ou qualquer resposta correta para essa pergunta. Se há alguma definição melhor alguém me avise.

Bem, mas eu falava de loucura. O que é a loucura? Talvez depois de ler esse texto muita gente já saiba o que é a loucura ou ao menos tenha fortes indícios. Aos espertinhos recomendo cuidado. Locke e Nietzsche são bem espertos e o que eles disseram não deve ser esquecido. Dizia um velho ancião que o homem foge da dúvida como um rato foge da ratoeira. Não que eu ache crime inafiançável acusar Nietzsche e adjacentes de serem loucos com instinto natural de autoproteção ou sei lá o que. Mas é algo complicado. Boa sorte! Ainda sobre a loucura, outra figura que não pode deixar de ser observada é o famoso filósofo Erasmo de Rotterdam, autor do livro "Elogio da Loucura". (mais informações em http://pt.wikiquote.org/wiki/Erasmo_de_Rotterdam e no google obviamente) Nesse livro, o pensador holandês apresenta a loucura como uma deusa que conduz as ações humanas. Identifica a loucura em costumes e atos como o casamento e a guerra. Afirma que é ela que forma as cidades, mantém os governos, a religião e a justiça. Ele critica muitas atividades humanas, identificando nelas substancial medicridade e hipocrisia. Vejamos o que ele diz sobre:

a) a Loucura - a Loucura fala em primeira pessoa no livro, e ela defende sua imagem e ponto de vista.

b) as crianças - a alegria da infância a torna a idade mais agradável, porque a natureza dá às crianças um ar de loucura.

c) o casamento - se as mulheres pensassem sobre o assunto veriam que não é vantajoso. Dores no parto, filhos, dever conjugal. Só a loucura para fazerem agir dessa maneira, assim a Loucura é a origem da vida. A única preocupação das mulheres é se tornar mais agradável para os homens. É essa a razão de tantos perfumes, banhos e enfeites. Só a loucura constitui o ascendente das mulheres sobre os homens.

d) os filósofos - gabam-se de serem os únicos sábios, mas se tirarmos o véu de orgulho e presunção veremos que não passam de ridículos loucos. A natureza parece zombar de suas conjeturas, e é risível sua teoria de infinidade dos mundos. Falam de astronomia como se conhecessem os astros palmo a palmo. Na verdade, eles não têm nenhuma idéia segura.

Créditos ao excelente site do qual foram tiradas as explicações sobre o livro:

http://www.consciencia.org/moderna/erasmo.shtml

Depois dessa longa, mas necessária e saborosa explanação, está mais do que provado que não se pode chegar a qualquer conclusão sobre o estado psicológico, patológico ou mesmo lógico do segundo guerreiro. Seria deveras precipitada. Resta então esperar pelos desenrolos do próximo capítulo que, como sempre, está emocionante. Enquanto isso, é recomendável a qualquer ser humano que eleve o seu nível cultural através da leitura dos artigos do conceituadíssimo site http://desciclo.pedia.ws/wiki/P%C3%A1gina_principal


quarta-feira, setembro 06, 2006

EPISÓDIO V


Episódio V: O primeiro guerreiro, conhecido em suas delimitações territoriais como Abedias, tal como James Bond, se põe a investigar o traiçoeiro território de sua missão. A curiosidade e perfeccionismo sempre foram marcas fortes desse afoito rapaz. Desde o dia em que Abedias fora abandonado por ter nascido com terríveis deformações na orelha e anormal ímpeto alimentício até os dias de então, o jovem garoto passou por um processo de desenvolvimento da sagacidade necessária para se esgueirar de tudo e todos sem deixar a mínima suspeita. É sabido que no dia em que Abedias se viu sozinho na selva taitiana ele soube intuitivamente que teria que sobreviver por suas próprias mãos. Quando fora encontrado, dezesseis anos depois, pela dita civilização, já havia desenvolvido hábitos peculiares, tais como, tais como... Bem, você verá.

Ao ser requisitado para a missão, Abedias já não era mais chamado assim. Seus descobridores o apelidaram de Prolixidade Cognitiva, pois era a única coisa que o então dito selvagem sabia pronunciar, e por sinal, o fazia incessantemente. Prolixidade Cognitiva fora treinado então por ninjas franco-sioneses da Sibéria e aprendeu as mais altas técnicas de miserabilidade (no sentido lisonjeiro dessa palavra) conhecidas na época. Ganhou o título de cidadão secreto neozelandês, o que selou definitivamente sua passagem do estado de selvageria para o estágio de homem civilizado (embora ainda fosse refém de instintos misteriosos e adormecidos, mas quem não é?). E o que isso significa?

Momento exageradamente (minto) personalista do texto: Bem, de acordo com os textos indicados pelo mestre Samuca Life, principalmente o de "Sociedade contra o Estado" de Pierre Clastres, há fortes indícios de que termos como "selvagens" e "sociedades primitivas" sejam apenas mais uma arma de dominação nossa (se é que eu faço parte da civilização ocidental, talvez já tenha aprontado o suficiente para ser banido dela, não que eu anseie por isso, mas vai saber...). Bem (é, de novo), as discussões a respeito do etnocentrismo, terminologias como instrumento de dominação, língua e poder, multiculturalismo ou mesmo relativismo cultural {termo quase sempre usado por críticos dos CRÍTICOS [perdoem-me a falta de imparcialidade (se é que isso existe)] num debate quase sempre inócuo e cheio de subjetividade da parte dos que se pretendem pensadores avalorativos, amantes do saber ou sabe-se lá quantos mais termos foram inventados para o auto-elogio} talvez já estejam desinteressantes, batidas mesmo. É uma mudança de pensamento muito radical, acho difícil algum dos lados transigir. Claro que não me refiro às opiniões das pessoas que (sabe-se lá o motivo) já correm só de ouvir falar de temas acadêmicos (uso esse termo sem qualquer intenção de qualificação positiva, apenas a título de especificação talvez mais adequada mesmo, pelo menos é o que eu estou tentando convencer). Refiro-me aos que gostam dessas "coisas". Mesmo eles talvez estejam fartos e acham que tudo se trata de uma questão de escolhas um tanto quanto excessivamente dogmáticas, mas necessárias à boa sobrevivência (e este fim último não é uma particularidade do pragmatismo). Ainda assim insisto. Percebe-se, por exemplo, que meu modo de escrever peculiar (pode valorar se quiser. Negativamente eu sei. Quem disse que não valoro? Eu tento me convencer disso, mas ainda não me venci) reflete traços da minha personalidade; a estruturação dos meus pensamentos ou mesmo pressupostos gerais da minha tática de dominação (a la USA). E meu senso de ordem? Um desastre, a maioria diria. Mas me defendo. Acho que é porque amo tudo um pouco demais e leio um pouco de menos (Pô cara, que lindo isso! Senti-me no Reino de Jhá ouvindo Bob Marley agora). A última parte com certeza é verdade.

Vale aqui uma menção desonrosa à minha ridícula não-preocupação com a necessidade de experiências anteriores com determinados ninhos de idiotices [sem carga negativa, nem positiva (Sim. Sou um exemplo de neutralidade axiológica na linguagem)] para se entender determinadas inutilidades que saem da minha mente. É que estou partindo do pressuposto de que este blog é um inevitável pé-no-saco (não no meu). Logo, não me preocupo em transmitir as minhas (tolas) experiências ou mesmo a conclusão preliminar que tirei delas.


Outra coisa legal de ser dita é que não me preocupo em ser plurisignficativo. Nem em não ser. Sequer em ser "nulosignificativo"... por aí vai.


Hoje vou deixar a "galera do deixa disso" vencer e admitir que não discutirei o que é um selvagem a fundo. Digo apenas que em tempos pós-modernos o bom selvagem de Rousseau deixa de existir dando lugar apenas ao bom. Pareceu uma crítica? Que nada! Nem disse que os antropólogos moderninhos fazem pseudociência. Alguns dizem isso. Não sou louco (sem carga, sem carga...). Acho até que estou mais pra eles inclusive, mas não posso deixar de notar que a acusação de submissão a uma ideologia de esquerda por parte deles pode ter sujado a límpida e honrada ciência social avalorativa (pleonasmo?) tradicional (de direita...). Bem, ao menos alguns direitistas já admitem sua condição. Mas qual o nível permitido de valoração e subjetividade em uma ciência social (ou mesmo natural, numa outra discussão mais perigosa)? Talvez algum dia eu especule sobre isso.

Então Abedias era o chamado bom? Vai depender de sua visão sobre tudo isso. Não sou o porre do Platão [grande pensador talvez (curto essa palavra, "talvez")] para indicar o correto aqui. Note que sequer abordei o tema de forma didática ou eficiente (talvez porque não tenha o que alguns chamam de "capacidade para isso"). Mania de querer ser mais que O CRÍTICO? Talvez. Estou bem light hoje inclusive. Hobbes e sua teoria sobre o homem passaram longe de mim (ainda que eu goste TALVEZ mais dele que do Rousseau). Quem sabe um dia...

Após receber o importante treinamento, Prolixidade Cognitiva estava pronto para fazer o exame final. Quando o fez, ficou provado que ele era a pessoa certa para a famigerada missão. Seu codinome (nome mesmo, tanto faz) passou a ser Ave de rapina e ele foi agraciado com o medalhão oficial da Escandinávia. Estava definido o destino do nobre guerreiro. Seus companheiros de missão não gostaram de seu codinome e preferiram chamá-lo pela alcunha de "Cocadinha". Agora lá está ele observando a casa do inimigo... Não perca o próximo capítulo.

EPISÓDIO VI


Episódio VI: Aí está. Cocadinha burla o sistema de segurança e consegue chegar na área de pouso dos helicópteros militares belgas. De lá ele tem uma visão panorâmica da importante e pra lá de moderninha base militar holandesa. Analisa com seu ultra-binóculo todas as minúcias do local. Seu plano é de certa forma simples. Ele pretende chegar à Holanda no seu meio de transporte em uma hora, ou seja, dentro do prazo definido pelos seus superiores botswaneses. Como está numa cidade belga que fica a uns 20 Km da base holandesa e seu burro se locomove a uma média de 20 Km/h, ele optou por usar a fórmula do "sorvete" (s = so+vt).

20 = 0 + 20t
20 = 20t
t = 1 hora

Ele percebeu então que dava pra chegar exatamente no tempo certo. Então iniciou a contagem regressiva no seu relógio. O alarme apitaria exatamente quando ele pisasse o pé em Lassftroops Beyond The Pale (a base militar holandesa). Porém, Cocadinha se esqueceu de que uma hora equivale a 60 minutos e não a 100. Quando ainda faltavam 50 minutos, de acordo com o relógio, faltavam apenas 10 na realidade. Como ele viu que estava bem perto, pensou que o seu burro tinha se esforçado mais do que o normal e resolveu descansar. Cochilou e sonhou que não sabia fazer a conversão hora-minutos. Acordou assustado, gritando e se deu conta da distração que o levara à tamanha desgraça.

Cocadinha chegou atrasado à Holanda e encontrou seus superiores atônitos por não mais poderem concretizar a missão naquele dia. Após se explicar, notou o rosto decepcionado dos comandantes botswaneses. Bungulundugum conversava discretamente com Sissoko Maktub. Chegaram a conclusão de que faltava um guerreiro que completasse os pontos fracos de Cocadinha. Em decorrência disso, entra na trama o segundo guerreiro.

Cocadinha não gostou da idéia de trabalhar em equipe. Até pelo motivo de que nunca fizera isso antes. Ele sempre fora um verdadeiro lobo solitário, intuitivo e extremamente perigoso. Passou o dia desconfiado. Mas o fato é que os generais moldavos que estavam hierarquicamente acima dos botswaneses ordenaram a estes últimos que montassem um plano B para ser posto em prática já na ceia de natal dos militares holandeses.

Traçou-se o plano. Ficou combinado que os dois guerreiros partiriam para uma cidade adjacente para buscar um bagulho secreto aí (estranha exigência repentina dos chefes albaneses repassada aos moldavos e re-repassada aos comandantes da Botswana). O que se sabe é que quem se ferrou nesse intrincamento globalizado todo foram os heróicos guerreiros. Antes de qualquer coisa, os comandantes acharam de bom alvitre trocar o nome de Cocadinha, pois entendiam eles que aquela alcunha-nome-codinome trazia mau presságio. Cocadinha passou a se chamar Alexsofu. Bem, cada um seguiria um caminho distinto para confundir algum possível espião inimigo. Pois, foram, pegaram o bagulho escroto e estavam voltando para a Holanda. Tudo na normalidade. Cada um ia trazendo o pacote correto. Tudo certinho, mas mal sabiam eles que havia um terceiro elemento nessa trama toda... Cedo ou tarde, não importa, o trabalho em equipe seria necessário. O futuro os aguarda. Como Alexsofu reagirá a esse futuro desafio à suas tendências naturais isolacionistas? Obterá ele sucesso? Terceiro elemento? Tem muita coisa mal-explicada aí... Aliás toda essa trama está muito mal-explicada desde cada coisa que acontece. Aliás está tudo uma embolação mal-contada. Quer saber? Tá uma merda total. Não perca o próximo episódio!

EPISÓDIO VII


Episódio VII: O olhar do terceiro elemento nos diz muita coisa. Frio e calculista, ele desempenha um papel importante na trama. Fora escalado por Sissoko e Bungunlundulum para observar de perto o desempenho de cada um dos guerreiros no cumprimento de seus papéis na missão idiota que antecederia a grande missão. Deveria o terceiro elemento segui-los sorrateiramente, anotar seus erros e acertos para que pudesse mais tarde fazer com que ambos trabalhassem numa equipe invencível com ele próprio a partir de uma estratégia mortal. O terceiro elemento era, portanto, um experiente estrategista observador. Unindo-se a habilidade dos três, os marechais espanhóis (superiores hierarquicamente aos panamenhos que mandavam nos albaneses que mandavam nos moldavos que mandavam nos botswaneses) calculavam que a vitória era inevitável.

O terceiro elemento não somente fez importante anotações, como também tirou as fotos que já foram suficientemente (ou talvez não) analisadas aqui inclusive. Pois, essas mesmas fotos chegaram às mãos do Alto Comando mongol (ao qual eram subordinados os marechais espanhóis) que passou a observar mais de perto os movimentos exóticos do segundo guerreiro, a habilidade de Alexsofu no manejo de burros indóceis e a feição dele, de dedicação ao trabalho. Talvez agora já tivessem total confiança de que Alexsofu não mais era um "selvagem" sem rumo. Suspeitavam de que já era possível que Alexsofu, graças à sua fiel dedicação, não criasse empecilhos ao trabalho em equipe. Mas, afinal, o homem é ou não é um ser que necessita viver em sociedade?

Antigamente, lá nos tempos do metido a sabe-tudo do Aristóteles, era até imaginável um homem viver isoladamente. Refletindo nas montanhas, passando o dia todo na floresta densa fazendo não quero saber o que, etc. Hoje, é algo meio difícil. Até existem comunidades isoladas, mas indivíduos... Acho bem difícil. Acredito que não devido ao crescimento populacional. Não foi bem isso que encurtou a distância entre os homens, mas sim o advento da nova ordem socioeconômica. Tecnologia baby! (estou ouvindo B.B.King). Ainda que no tempo do Ari as coisas fossem diferentes, foi ele mesmo quem começou com essa conversa de que o homem era naturalmente sociável (e um ser político também) , que só podia alcançar as suas mais elevadas aspirações através da vida em sociedade, tá tudo lá naquele livro bem conhecido nele e de nome um pouco preguiçoso: "Política". Hoje, louva-se a Aristóteles incessantemente. Afirma-se até que a intensificação das relações sociais é uma constante consolidada e que decorre do nível cultural cada vez mais elevado do pensamento humano. Ai ai, esses neo-evolucionistas disfarçados... O interessante é notar que eles têm muitas semelhanças com seus arquiinimigos, os conservadores. Estes últimos se esqueceram de que David Hume e depois Popper conseguiram desmistificar a muito tempo o indutivismo. Dá só uma olhada na definição de conservadorismo do Wikipedia: "O conservadorismo é uma corrente político-filosófica que defende que as melhores instituições não são aquelas que resultam de projetos feitos a partir do nada, mas sim de uma evolução gradual e “natural” ao longo dos séculos." Quando Darwin faz algo semelhante eles vão e esperneiam... Bem, o essencial é que sempre duvidei (como se eu fosse algum ancião...) de explicações unicausalistas para estes e quaisquer assuntos (embora a ajuda de Samuca Life tenha sido interessante). Ah, não sou inimigo da simplicidade, tampouco da complexidade (tá bem, eu não gosto muito disso que achamos ser complexo).

Escroto é Hobbes. Diz ele que o homem é um descarado que só se junta com os outros pra tirar proveito, isso sim. Para o filósofo absolutista, o homem é um safado que sabe mesmo é fofocar e zombar dos outros. Quando eu observo que as pessoas não costumam fazer auto-elogios escancarados, mas não exitam em criticar as outras pessoas percebo todo o maquiavelismo dessa galera humana (é, um pronome qualquer e o resto). Assim fingimos modéstia ao mesmo tempo em que aniquilamos um adversário. Yes! (Yes é legal! Close To The Edge então...) By the way, adoro brincar de Nietzsche! Sou quase um aprendiz de cover de Nietzsche paraguaio. Hobbes acha ainda que sem o Estado a humanidade ia é pro beleléu. Nesse caso, creio que ele andou assistindo a novelas mexicanas (ou equivalentes) demais, se é que me entendem. Bem, Hobbes responderia que Pierre, Rousseau e fascínoras semelhantes colocaram idéias erradas na minha inocente cabeça. Não sei. Só sei que não gosto daquelas historinhas de monstro que ele criava. Era um megalomaníaco equivocado. Tanto que o absolutismo foi uma merda pra humanidade, com todo respeito aos sanguinolentos monarcas da época. Mas que ninguém pense que sou anarquista. Sou torneiro mecânico. Ah Lula, seu maquiavélico! Vai ganhar a eleição com folga. Bem, o que eu me parece boba, má e feia é essa afirmação de que o Estado e outras instituições responsáveis pelo controle social são a solução para o descaramento da humanidade em seu estado natural. Se eu acho a humanidade descarada? Bem, essa pergunta exige um livro. Deixa quieto.

Não sei e gostaria de saber o motivo pelo qual o grego das antigas Epicuro de Samos, importante influência filosófica de Xuxa e Ozzy Osbourne (aliás, Epicuro é o filósofo mais influente na atualidade e cabou) dizia que o homem não era um ser sociável. Não que ele estivesse errado. Só curiosidade mesmo. Sei pouco sobre Epícuro.

Sabe qual é a minha conclusão? A de que o ser humano é um bicho esquisito. Nenhum outro bicho fica se preocupando em saber quem ele é, o que é o mundo e sabe-se lá mais o que (não.Os bichos não ligam pra isso. Né possível...). Eu devia estudar biologia, zoologia, psicologia, essas coisas. Também há muita coisa interessante. Tem gente que diz que filósofo é tudo burro. Talvez haja alguma lógica nisso, mas precisa-se de muita filosofia pra se chegar perto de tentar provar essa afirmação...

Conclui-se que o caso de Alexsofu tá sem muita perspectiva, portanto, não perca o próximo episódio.


EPISÓDIO VIII


Episódio VIII: O guerreiro olha pra cima e diz: "Eita ceuzão bonito!"

terça-feira, setembro 05, 2006

EPISÓDIO IX


Este episódio é algo independente dos anteriores, mas vamos lá (ao que interessa) :

Episódio IX: Pouco se sabe ainda sobre o passado do terceiro guerreiro. Conhece-se o seu pai. Conhecido pela alcunha de "Tonho Gatão", o pai do terceiro guerreiro era um renomado jogador de futebol e tratava como ninguém (em suas terras) a pelota. Conhecido por ser um dos poucos times que conseguiram derrotar o Papão da Curuzu, em seu próprio estádio (o Curuzu em Belém do Pará), o Associação Recreativa Confederativa Ornamental Multimilionária, conhecido como ARCOM e patrocinado pela Oral B, era a alegria do povo. O futebol travesso daquele time de uma década atrás encantava o público sedento por arte nos campos. Porém, o time continha muitos amantes da noite, verdadeiros boêmios. Conhecia-se, na época, o proveito que Tonho Gatão tirava da sua condição de craque do time. A FIFA não gostava nada nada daquilo tudo e comunicou um ultimato ao craque. Tonho Gatão tomou conhecimento do comunicado, porém, ignorou-o sumariamente e continuou a exagerar nas noitadas. Dois dias depois, a FIFA anunciou o banimento, em caráter de eternidade, do jogador de todo e qualquer gramado (ou não) onde se pratique o esporte bretão, sob a alegação de que o comportamento de Tonho Gatão maculava a imagem do futebol. Pois é, eram tempos conservadores (juro que não vou começar a falar de conservadorismo outra vez, calma, calma...). O fato é que a carreira do craque estava em maus bocados. Conhecia então o fracasso na sua forma mais cruel. Diante de tamanha aporrinhação, Tonho Gatão não viu outra solução senão abandonar o futebol e se tornar um samurai.

Pois bem, era preciso continuar a luta, ainda mais agora que tinha um filho (é. já nasceu o terceiro elemento) para cuidar. Seu treinamento foi rígido. Primeiramente, tratou de aprender tudo sobre filosofia oriental e para isso adquiriu ilicitamente diversas obras. Ele atacava os alunos da UFBA ("Os playboy mais riquinhos" costumava dizer) sempre a noite, e tinha predileção por estudantes desprevenidos. Apontava o muchaco para a vítima e dizia: "Perdeu! Perdeu! Passa logo a Crítica da Razão Pura ou vai sofrer playboy". Assim sendo, foi construindo uma imponente biblioteca, na qual não faltava quase nenhum clássico. Nietzsche, Sartre, Hume, Schops, Brahms, Hegel e até Wittgenstein. Tinha de tudo lá. Depois de algum tempo de leitura, adquiriu vasto conhecimento filosófico, mas... Continuava sem saber patavinas sobre longitude, latitude, meridianos, paralelos... Geografia em geral. De tal modo que o que se aproveitou dessa experiência toda mesmo foi a perícia cada vez maior na execução de tarefas perigosas. Conseqüentemente (que tipo de chato ainda usa trema?), Tonho Gatão não passou por grandes dificuldades para obter o título máximo de "grão-mestre samurai" pela Academia Cazaquistã de Aeroluta (a tradicional ACA). Não precisou sequer passar por estágios intermediários. Ele havia aprendido em tempo recorde os mais variados golpes, táticas de defesa, camuflagem avançada, emboscada e servia-se de movimentos silenciosos e letais.

Na Bahia, ficou célebre por ter fugido inúmeras vezes do esquadrão de morte pseudo-não-oficial do governo e ter derrotado mestre Toninho da Capoeira, mesmo tendo seus membros completamente amarrados. A imprensa o chamava de "Dr. Ardiloso" e o descrevia como um homem culto, porém, muito perigoso. Ninguém entendia muito bem o porquê de ele sempre enviar um artigo semanal com suas recentes conclusões a respeito dos mais variados problemas gnosiológicos e axiológicos a todas as suas recém-vítimas. Ninguém entendia também seus artigos, visto que livros de filosofia se tornaram coisa rara nas universidades e os intelectuais (pseudos ou não) acabavam sabendo cada vez menos. Filosofia se tornara algo perigoso demais até para ser ensinado, visto que os professores que publicavam algum artigo que desagradasse o então pretendente a samurai (e praticamente tudo desagradava Tonho Gatão, até porque, o mesmo adquirira insuportável senso crítico) recebia logo depois uma resposta por escrito, nas normas da ABNT, retrucando tudo o que fora dito. Ainda que Tonho nunca tivesse agredido alguém fisicamente, as suas réplicas surtiam um efeito atemorizador nos professores, levando estes a abandonarem suas profissões e se dedicarem a uma outra atividade qualquer. Nota-se que fora criado um mito em torno da figura de Tonho Gatão (prometo não discutir o papel ou natureza do mito na sociedade contemporânea e nem na antiga e nem dissertar acerca de como se faz o chamado "terror psicológico involuntário"). Esse homem que em seus tempos de futebolista parecia só mais uma figura inofensiva e folclórica do povo (vide foto).

Após alguns meses e a colação de grau, Tonho Gatão, agora já consolidado como um dos maiores nomes das artes marciais mundiais, dono do título de pós-doutor em coisas que samurai faz e seguramente o maior especialista na técnica do ippon-traumatismo-craniano, sentia-se pronto para treinar o seu filho. O terceiro elemento aprendeu, durante anos, as mais avançadas técnicas de destruição já ensinadas , complementadas por altas noções de guerra e estratégia, após treinos permanentes com o jogo "Combate". Treinado com o dobro do rigor normal, Matossas se tornou uma iminente máquina de matar, ou seja, estava pronto para destruir qualquer coisa que porventura exista ou venha a existir. Não cabe aqui a discussão a respeito da transferência de habilidades através dos genes. Ela é um tanto quanto biológica demais. Porém, cabe a velha polêmica: Afinal, Matossas já nasceu com um dom que precisava ser despertado? Ou tudo é uma questão de experiência, treinos? Aprende-se através dos sentidos? Há razão e/ou concepções inatas? Se sim, quais?

Serei breve. Até porque não pretendo dar uma resposta clara, aprofundada, objetiva e completa para o assunto. Muito menos definitiva, obviamente. Não sei sequer se pretendo passar algo que se possa chamar de resposta. Que porcaria eu quero então? Calma. Vamos por partes... (aliás, isso é coisa de indutivista. To fora! Nada de ir por partes)

De um lado temos Platão, o filósofo Hezbollah (Sócrates era "sunita"). Nos meios temos Aristóteles e uma galera aí. No outro extremo do ringue há desde os empiristas, chefiados por John Locke, até os atuais eleitores carlistas, malufistas e/ou colloridos. Estes últimos permitem contestar a teoria de Platão de modo quase letal. Se o ser humano nasce com conhecimentos a piori, estruturas racionais pré-estabelecidas e tudo isso, como explicar a existência desse pessoal que citei? É isso, Platão fica viajando no mundo das idéias dele lá e se esquece um pouco de observar a realidade. Ele freqüentemente esperneia: "a percepção da realidade através do sentido nos dá, quando muito, uma mera opinião verdadeira! E isso não é ciência! Os sentidos só geram mais obstáculos ao conhecimento, dificultando o caminho até à verdadeira verdade! O que importa é o conhecimento intelectual! Deve-se partir de especulações racionais para que se revele a nós o Mundo da Verdade!" (algo assim).

Por sua vez, Locke dá uma de iconoclasta (tal como a Marli naquele clipe) e elabora uma teoria que, implicitamente, chama Platão de imbecil. Locke é outro xiita, diz ele: "O homem é uma tábula rasa! Não há nada na mente que antes não tenha passado pelos sentidos! A prática é a fonte de conhecimento humano! O intelecto humano não pode partir do nada, sua fonte e limite é a experiência! O intelecto não cria nem destrói idéias! Ele apenas combina as idéias provenientes dos sentidos! A reflexão faz isso! Relaciona idéias simples para gerar complexas! E outra! Você não vê Platão que é um absurdo haver coisas inatas e o Zé Mané não ter consciência disso? Você é louco Platão! Louco!" [algo assim (ah, só estou escrevendo como se fosse uma novela mexicana pra ver se vendo tudo isso aqui pra o Sílvio depois)]. Por causa disso, um monte de filósofo-beata da época acusou o coitado do Locke de ser ateu. Afinal, a noção de Deus só pode ser inata, diziam eles. Não sei qual é a lógica em se discutir Deus? Bem, não vou discutir Deus. O cara é gente boa demais pra eu fazer isso...

Aristóteles tem alguns pontos em comum com Platão sobre esse assunto. Sócrates também. Grosso modo (não quero pesquisar pra relembrar), pode-se dizer que Ari reconhece a importância dos sentidos na apreensão da realidade e defende que seja feito um processo de abstração dessas informações trazidas por eles. O resultado seria a matéria-prima de que a estrutura racional se utilizaria para produzir conhecimentos, leis gerais, bambambam e coisa e tal. E Sócrates é um Platão mais light [e vice-versa, fazendo-se a devida mudança na frase (pra não dizerem que eu menosprezei um dos dois)].

Há vários outros filósofos com opiniões relevantes sobre o assunto. Dizem até que vale a pena dar uma pesquisada no construtivismo de Piaget (tenho pouca idéia do que seja, segundo lidas rápidas, ou seja, grosso modo, é meio que um meio-termo entre Platão e Locke. A teoria fala de interação entre meio e indivíduo. Bem, fica aí a dica então). Mas, o fato é que to com sono e parto do pressuposto de que ninguém está minimamente interessado em discutir filosofia, até porque se estivessem, estariam em um blog (ou semelhante instrumento) muito mais adequado para isso. Eu, o cara estranho do bloco (blog) do eu sozinho (nem sou fã de Los Hermanos,,, Sério) to longe de poder definir os meus atos e a minha existência. E que nunca me peçam pra fazer isso...

Bem, não dá pra chegar a uma conclusão a respeito do processo de aprendizagem de Matossas. By the way, pouco se conhece no que concerne à personalidade dessa, talvez, fria máquina de planejar e matar. Entende o porquê de não se poder perder o próximo episódio? Mas antes, vai mais um pouco: Tonho dedicou sua vida ao filho e agora o pequeno estava pronto para seguir seu destino em liberdade. Em decorrência disso, o agora velho samurai achou de bom alvitre aceitar a ajuda que os U$A ofereceram e concordou em enviá-lo para servir aos interesses estadunidenses. Os ianques descobriram os talentos de Matossas bem por acaso. Do nada, apareceram vários vídeos caseiros com demonstrações de força e astúcia por parte do rapaz lá no Pentágono. Imediatamente eles se interessaram e contactaram Tonho Gatão, que passava por algumas dificuldades, para propor um contrato (estranhamente havia o telefone de contato de Tonho nas misteriosas fitas de vídeo). A conversa foi rápida e Matossas se foi... Todo desconfiado. O pai embora não tenha levado o filho ao avião, disse a ele que sentiria a sua falta, antes de desmaiar de cachaça (havia comprado uns 10 litros).

Chegando aos Estados Unidos, Matossas teve um rápido encontro com os oficiais estadunidenses e foi comunicado que seria enviado para servir militarmente aos friends argelinos. Estes mandaram Matossas para servir militarmente aos amigos mongóis, que o mandaram para os espanhóis, que... Bem, ele acabou parando na base dos comandantes botswaneses Sissoko e Bungulungudum e nesse exato momento acaba de terminar o plano que apresentará aos superiores. O "trio invencível" está perto de se concretizar. O alarme toca. Hora do descanso. Todos interrompem os exercícios físicos e se recolhem aos dormitórios, Todos. Menos Matossas... Por que? Saberemos... Mais reticências, afinal, o suspense é a tônica desta foto-novela... Um pouco mais e... No próximo episódio!


OBS: Essa comunidade aqui é muito boa. Vê se não é a minha cara? Esses episódios mais filosóficos e tal... Bem, tudo a ver:
Destaque para o tópico sobre filosofia:
Outro tópico de partes interessantes, contesta a nossa natureza: